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sexta-feira, 15 de maio de 2015

a alma das janelas

As janelas de Lisboa são quase sempre avarandadas. Não é à toa que o que chama muita atenção aqui e é motivo de fotos são as janelas. Mas o que mostram essas fotos e os olhares mais atentos não são só janelas bonitinhas, tem um mistério que ultrapassa isso tudo. É que cada janela aqui tem a sua personalidade, mesmo sendo quase igual às demais. Cada uma tem a cara do seu dono. E não é raro que você encontre o dono da janela na janela, na espreita. As janelas daqui têm vida.

Um vasinho com plantas, uma cadeira, uma mesa, uma hortinha, uma velha sentada, uma freira escondida, um casal, um homem tomando vinho sozinho, um velho que espreita toda noite às 11, uma criança debruçada, um homem fumando, uma mulher bebendo vinho, uma mulher bebendo chá, alguém assistindo à TV da sala.

Tem sempre uma história numa janela, tem sempre graça do lado de fora. Não só os olhos são a janela da alma.

Aqui, os olhos também são a alma das janelas,
quer do lado de dentro,
quer do lado de fora delas.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A dança das fitas

Atamos nós e nós
Desatamos nós
Reatamos nós e nós

Me desembaraço, entrelaço
É um aperto fazer nós sem nós
E o cansaço do embaraço
De ter você só no outro do a sós

Numa trama com tanto e pouco espaço,
Com tantos nós e pouco nós
Tampouco se faz um laço
E desatamos nós.


sábado, 24 de janeiro de 2015

O poeminha da despensa

Eu hoje tomei chá de camomila
Junto com uma dose de tequila
Água com essência de baunilha
Tang, não tem nem de tangerina

Eu abro a geladeira e sinto a fria
Em que me meto todo santo dia

Sobrou só a água daquela conserva
Que comi durante aquela conversa
Sobrou só meia latinha de cerva
E uma azeitoninha submersa

Sobrou só sal e açúcar à beça
Faltou tapioca, não tem leite Moça
Sobrou só o resto daquela festa
Um eco na despensa e também toda louça

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

De passagem

Estava eu dormindo no meu sofá quando ouvi
Que tinha um moço na minha rua procurando Gabi
Me desesperei, dei um pinote e fugi
Até descobrir quem era o tal do guri
Um ex-namorado inconformado com o fim?
Sei lá, pulei a cerca e apareci no jardim:
- O que você veio procurar por aqui?
- Eu to de passagem, voltando de viagem, me perdi
E se  eu te disser que te sinto saudade, eu menti
- Francamente, meu caro, não adianta fingir
Eu moro em Jaçanã e você no Pari
O que é que cê veio procurar por aqui?
- Pretensiosa, hoje eu não to pra prosa, ô Gabi
Eu só me lembrei do boné que eu esqueci
Entrega a bagaça e chega de graça, tenho que ir
E pra te avisar, mané, eu me mudei pra Mogi