Esvaziou as prateleiras alcançáveis com o carrinho correndo veloz de janeiro a janeiro - e a cada janeiro, parecia mais rápido. Perdeu a lista que recebeu ao chegar e avariou o carrinho. Problemas na rodinha, mas era só puxar com força pro lado contrário que ele voltava.
Não sabia de cor o que estava listado porque era muita coisa. No entanto, conforme passeava pelas prateleiras, pegava mais ou menos o que queria. Teve decepções em algumas aquisições posteriormente e se arrependeu por ter gastado com aquilo. Com outras gastaria tudo... a pena é que sempre gostava mais das edições limitadas.
- São 7830,28 dias. Qual é a forma de pagamento?
- Vida. Débito, por favor.
- Mais alguma coisa, senhora?
- Muita, ainda não sei o quê. Mas venho depois e passo no crédito.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
segunda-feira, 25 de março de 2013
Sobre pessoas e suas (des)importâncias
im.por.tân.ci:a:
- qualidade do ou de quem é importante
- grande valor
- quantia; preço; custo; consideração; interesse; autoridade; prestígio; influência
- relevância
Ser importante e dar importância devem estar em equilíbrio. Ao longo dos meus quase vinte e um anos de experiências com seres amenos, ops, humanos, constatei que existem dois tipos deles:
Os que dão importância, que se importam com alguém;
Os que querem importância dos outros, dando mais valor à importância que têm às coisas e ao sistemas, do que às pessoas.
O mundo só é mundo porque existem esses dois seres, o que importa e o que é importado - e ser importado não significa ser importante. Explico por quê: quando alguém se importa, quer bem e cuida, automaticamente se torna importante. Não para os outros, não para o mundo, mas para si mesmo. Ele sabe que se importou com aquele que quis importância, que moveu mundos e fundos pra cuidar de alguém que só queria abusar do seu senso maternal caridoso e que, infelizmente, não deu. Médicos cuidam, não pelos mesmos motivos, mas quando algo dá errado não são chamados de "passionais", mas sim de doutores. E por que ver o amor com tanta racionalidade, se ele nem pediu isso?
Pobres coitados dos racionais que abusam da bondade alheia. O bom nunca é coitado; o coitado é aquele que depende da caridade cardíaca dos outros para se aproveitar e se sentir importado. Essas pessoas têm um cérebro naquela região centro-esquerda do tórax, ao invés do que deveria estar ali. E na cabeça têm o coração, mas não adianta ter o coração na cabeça e a cabeça no coração, porque assim nenhum dos dois funciona bem. O coração, que está na cabeça, acaba por apanhar ao invés de bater. E o cérebro bate e bate e não chega a lugar nenhum. Claro, porque se o cérebro andasse, as pessoas chegariam a algum lugar discutindo racionalmente. Nunca chegam, é como o cachorro que foi enviado pro sítio do tio-avô e nunca chegou lá, nem no verão seguinte.
E passam 6 verões, o cachorro ainda não está lá. Digo, o coração e o cérebro. Infelizmente, esse tipo de coisa ainda acontece no mundo. As pessoas ainda se importam com coisas e deixam de se importar com pessoas. E um dia o mundo acaba, as coisas todas acabam, e elas se lembram das pessoas que desimportaram ao longo da vida. Não vou dizer que o bondoso é uma anta, mas também não direi que não. É que, no fundo, ele ainda tem a esperança de uma mudança fisiológica, uma alteração do genótipo, a mudança do signo do zodíaco daquele que o fere. E ele sempre volta, como o cachorro que retoma o caminho de casa depois de ter ido pro sítio distante, próximo a Cornualha e peregrinar a patas por quase 10 mil quilômetros. Mas quem volta é sempre o bondoso... o importado nunca volta por inteiro. Sempre fica na miguelagem de sentimentos, dosando tudo com um conta-gotas. Ai dele, se o bondoso tivesse um quanto-gostas, pra medir o quanto é gostado pelo importado. E é um tal de quantas gotas, quando o importado vai embora, sem mais nem menos. Aliás, muito mais menos do que mais nesse sem mais nem menos. Porque ele foi, sem sentimentos. E o importante ficou com sentimentos. Agora, pelos princípios da lógica e da racionalidade, quem tem mais?
O importado abusou e mesmo assim saiu sem nada. O importante foi com tudo e voltou com mais.
Agora é só pegar essa "quantia" e investir em outro bem. Porque bem é o que mais tem. É só querer bem que ele vem.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Neurose do milênio
Começa outro ano e todos naquela neura de planejar a vida dali pra frente. Nunca entendi, particularmente, por que a fixação pelo primeiro dia do ano e não por uma data qualquer. Mas isso é só uma amenidade, eu também planejo tudo a partir de um de janeiro pela data simbólica e lá por catorze de abril começo a me esquecer de que tenho que levantar pra trabalhar e cumprir tudoo que prometi pra mim.
Aí eu penso em tudo o que habitualmente as pessoas prometem para si ou desejam aos outros:
Em 2013, eu quero ter sucesso, ter mais tempo, ter mais amigos, ter mais amor, mais beleza, mais saúde, ter mais viagens, mais livros, mais filhos, ter mais compaixão, mais disposição, ter mais paciência, ter mais agilidade, ter mais soluções, ter menos problemas, ter um carro novo pra usar no dia do rodízio e não tomar multa até perder a carta, ter mais responsabilidade, ter um emprego, ter estabilidade/instabillidade, ter equilíbrio.
Todo esse consumo nos consome, por fazer acreditar que até o abstrato é concreto, que tudo pode ser comprado e não lapidado.
O ser a gente tem; O ter a gente sem. É essa inversão que faz alguns terem filhos, outros serem pais; que faz alguns terem mais livros pra encher prateleira e outros serem sensatos e pararem de comprar se não forem ler; entre ter um emprego e ser trabalhador, ter um carro a mais ou deixar de ser egoísta.
Fáceis são os adjetivos, advérbios ou substantivos que colocamos nos nossos planos. Difícil é ser.
Aí eu penso em tudo o que habitualmente as pessoas prometem para si ou desejam aos outros:
Em 2013, eu quero ter sucesso, ter mais tempo, ter mais amigos, ter mais amor, mais beleza, mais saúde, ter mais viagens, mais livros, mais filhos, ter mais compaixão, mais disposição, ter mais paciência, ter mais agilidade, ter mais soluções, ter menos problemas, ter um carro novo pra usar no dia do rodízio e não tomar multa até perder a carta, ter mais responsabilidade, ter um emprego, ter estabilidade/instabillidade, ter equilíbrio.
Todo esse consumo nos consome, por fazer acreditar que até o abstrato é concreto, que tudo pode ser comprado e não lapidado.
O ser a gente tem; O ter a gente sem. É essa inversão que faz alguns terem filhos, outros serem pais; que faz alguns terem mais livros pra encher prateleira e outros serem sensatos e pararem de comprar se não forem ler; entre ter um emprego e ser trabalhador, ter um carro a mais ou deixar de ser egoísta.
Fáceis são os adjetivos, advérbios ou substantivos que colocamos nos nossos planos. Difícil é ser.
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