Temos uma relação de amor e ódio e já atribuí vários apelidos carinhosos a ele: detalhismo, metodismo... mas capricho é o que eu mais gosto. De vez em quando ele se decepciona comigo: "Gabriela, que vergonha! Você vai mesmo sair e deixar essas roupas jogadas no seu quarto?". Às vezes ele se orgulha de mim, "Lavou a louça todinha! Agora já pro banho, porque ambos sabemos o asco que lhe proporciona a sensação de micróbios e restos de alimento nas suas mãos." Só de lembrarmos, temos arrepio.
Eu e meu perfeccionismo formamos um casal perfeito. Ele é sincero demais, sempre diz quando meu cabelo está feio ou minha roupa não está bonita, quando o texto está péssimo e deve ser salvo nos rascunhos para aperfeiçoar depois, e por vezes me faz arrancar folhas do caderno e escrever de novo quando não capricho ao escrever a data. Quando saímos pra comer, ele não me deixa comer pão de forma com manteiga porque tem aflição, e se comer pão de forma TEM que ter um pingo de mostarda em cada canto. Ele odeia quando eu fumo e perco o charminho do perfume por isso, não me deixa dormir sem lavar as mãos e escovar os dentes, tampouco dormir com um pijama que não combine as cores. E ai de mim se não dormir de pijama, o capricho dorme no sofá e só acorda de bem comigo se eu fizer aquele café da manhã pra gente, sem esquecer dos pingos de mostarda nos cantos. Mas quando ele se orgulha, é uma felicidade que não cabe em mim. Por isso compartilho com ele.
É um defeito e uma qualidade, por isso a relação de amor e ódio. Ele não apenas me quer, como todos os outros, que precisam de mim pra que os outros saibam quem eu sou. Me quer BEM... pra que eu sempre saiba quem eu sou/somos. Somamos.