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sexta-feira, 15 de maio de 2015

a alma das janelas

As janelas de Lisboa são quase sempre avarandadas. Não é à toa que o que chama muita atenção aqui e é motivo de fotos são as janelas. Mas o que mostram essas fotos e os olhares mais atentos não são só janelas bonitinhas, tem um mistério que ultrapassa isso tudo. É que cada janela aqui tem a sua personalidade, mesmo sendo quase igual às demais. Cada uma tem a cara do seu dono. E não é raro que você encontre o dono da janela na janela, na espreita. As janelas daqui têm vida.

Um vasinho com plantas, uma cadeira, uma mesa, uma hortinha, uma velha sentada, uma freira escondida, um casal, um homem tomando vinho sozinho, um velho que espreita toda noite às 11, uma criança debruçada, um homem fumando, uma mulher bebendo vinho, uma mulher bebendo chá, alguém assistindo à TV da sala.

Tem sempre uma história numa janela, tem sempre graça do lado de fora. Não só os olhos são a janela da alma.

Aqui, os olhos também são a alma das janelas,
quer do lado de dentro,
quer do lado de fora delas.