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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A dança das fitas

Atamos nós e nós
Desatamos nós
Reatamos nós e nós

Me desembaraço, entrelaço
É um aperto fazer nós sem nós
E o cansaço do embaraço
De ter você só no outro do a sós

Numa trama com tanto e pouco espaço,
Com tantos nós e pouco nós
Tampouco se faz um laço
E desatamos nós.


sábado, 24 de janeiro de 2015

O poeminha da despensa

Eu hoje tomei chá de camomila
Junto com uma dose de tequila
Água com essência de baunilha
Tang, não tem nem de tangerina

Eu abro a geladeira e sinto a fria
Em que me meto todo santo dia

Sobrou só a água daquela conserva
Que comi durante aquela conversa
Sobrou só meia latinha de cerva
E uma azeitoninha submersa

Sobrou só sal e açúcar à beça
Faltou tapioca, não tem leite Moça
Sobrou só o resto daquela festa
Um eco na despensa e também toda louça

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

De passagem

Estava eu dormindo no meu sofá quando ouvi
Que tinha um moço na minha rua procurando Gabi
Me desesperei, dei um pinote e fugi
Até descobrir quem era o tal do guri
Um ex-namorado inconformado com o fim?
Sei lá, pulei a cerca e apareci no jardim:
- O que você veio procurar por aqui?
- Eu to de passagem, voltando de viagem, me perdi
E se  eu te disser que te sinto saudade, eu menti
- Francamente, meu caro, não adianta fingir
Eu moro em Jaçanã e você no Pari
O que é que cê veio procurar por aqui?
- Pretensiosa, hoje eu não to pra prosa, ô Gabi
Eu só me lembrei do boné que eu esqueci
Entrega a bagaça e chega de graça, tenho que ir
E pra te avisar, mané, eu me mudei pra Mogi