Pode parecer pouco, mas esse é o começo de um bom dia.
Acordei às 7h50, liguei o chuveiro. Enquanto a água supostamente esquentava, peguei a extensão ao lado da cama, levei para a sala, liguei a cafeteira e coloquei a cápsula 10. Busquei também o leite em pó e uma faca porque todas as minhas três colheres estavam para lavar. Deixei tudo no esquema.
Acordei às 7h50, liguei o chuveiro. Enquanto a água supostamente esquentava, peguei a extensão ao lado da cama, levei para a sala, liguei a cafeteira e coloquei a cápsula 10. Busquei também o leite em pó e uma faca porque todas as minhas três colheres estavam para lavar. Deixei tudo no esquema.
Entrei no banho com vontade, a água ainda estava fria. Desanimei um pouco mas ok, "talvez o chuveiro seja sempre assim, mas hoje está mais frio e a sensação térmica muda". Para a minha surpresa, olhei para a esquerda e vi que o chuveirinho estava aberto, por isso a água não esquentava muito. Fechei a mangueirinha e tudo voltou ao normal. Primeira surpresa boa.
Adoro o banho, a espuma, o sabonete, o momento em que eu sou eu e sou limpa. Adoro a sensação de que todo o mal está indo embora pelo ralo, de que estou nova, digna de começar um dia novo. Gosto do vapor, de lavar o rosto até sentir o cheiro do sabonete e espirrar.
Banhos mereciam parágrafos intermináveis se pudessem ser intermináveis. Adoro essa sensação para começar o dia sem nada mal resolvido. Olha eu aqui cheirosa e novinha em folha, pronta para encarar todas as caras de bunda que me aparecerem pela frente.
E para quem diz que enrolar os cabelos e fazer bigodinho com eles no meio de uma reunião é falta de postura: não, não é falta de postura. Eu faço bigodinho com os cabelos porque eles estão cheirosos. Porque eu lavo todo dia e você não.
Voltando ao banho, continuo passando o sabonete até conseguir sentir o cheiro dele nos braços e ombros sem precisar virar o pescoço. Tiro o condicionador, acaba. Puxo uma toalha para o cabelo e outra para o corpo. Não gosto de me secar no banheiro e assim não molho o chão do quarto com as gotinhas que caem das pontas. Tem gente que não entende essa necessidade. Uma amiga veio aqui e perguntou se moro num hotel, pela quantidade de toalhas debruçadas na porta do banheiro.
Saio do banho. Aproveito para buscar a roupa no varal que lavei a noite passada, molhada. Lavei ontem à noite porque queria usar hoje cedo. Se quisesse usar amanhã, teria lavado hoje à noite. Sou assim.
A roupa está úmida. Passo e pego o café que deixei no jeito, jogo uma faca de leite em pó e faço meu capuccino instantâneo. No quarto, ligo o secador, e seco primeiro o meu frio, depois atrás das orelhas. Aí pego a roupa úmida, enfio o secador nas mangas da blusa e dou uma secada.
Enfim, parto para o cabelo, começo pela franja, depois o resto. Mas muito tempo mesmo na franja. Olho para o relógio, são 8h20, meu cabelo e minha roupa ainda estão molhados e às 8h30 tenho que estar na estação. Ignoro e continuo o deleite de me gostar.
Dou mais uma secada nas roupas e visto as leggings mais úmidas do que a blusa. Deixo a toalha molhada na cama e percebo isso quando chego em casa, perto da meia-noite. As meias estão ok. As roupas molhadas exalam amaciante. Fumo um cigarro na varanda enquanto olho a estação e a avenida pegando fogo lá embaixo. Volto, lavo as mãos, escovo os dentes.
Tranco as portas, desço as escadas, aperto o botão e saio para a rua.
Lá se foi a hora mais feliz do meu cotidiano.
ps: as calças secam por volta das 14h e me sinto feliz por estar quentinha.
Lá se foi a hora mais feliz do meu cotidiano.
ps: as calças secam por volta das 14h e me sinto feliz por estar quentinha.
