Dizer sim é como abrir um leque e dizer não é abrir um canivete.
Quanto tempo não desperdiçamos abanando os outros com esse leque? E os outros só nos cortando com esse canivete. Só depois que já estamos esquartejados, paramos pra pensar em todo o leque que abrimos e em toda a ingratidão de quem só cortou nossas investidas. Uma hora a mão cansa, a paciência esgota e precisamos refrescar a mente.
Mas ainda bem, temos tudo à mão. O mesmo leque que usamos pra abanar o ego de quem não merece, usamos pra nos abanar. Nos permitimos tudo. E o que acontece com quem só tem o canivete? Das duas, uma: ou continua fazendo maldades aos outros, ou quando os outros também se cansarem, esse canivete só poderá fazer mal ao seu próprio ego. Ainda bem que eu tenho meu leque.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Os camundongos do trilho
Seis da tarde no relógio da Estação da Luz. Todo mundo fala da história dela, da arquitetura, da importância do local, do centro de São Paulo que hoje abriga a crackolândia.
Mas não estou interessada nisso agora, já passei dois meses observando essa história (quase que) de segunda a sexta e algo me despertou mais a atenção do que o "turismo" em si.
Há duas semanas, enquanto falava ao telefone, observei uns pontinhos se movendo no trilho, rapidinho, pra lá e pra cá. Não consegui assimilar o que era, já que só consigo utilizar um dos meus sentidos por vez (ou eu escuto, ou enxergo, assim como não consigo andar e mascar chiclete simultaneamente). O trem chegou, embarquei, "Senhores passageiros, boa noite. Este trem tem como destino a estação Rio Grande da Serra. O tempo estimado de viagem é de 52 minutos. A CPTM deseja a todos uma boa viagem." e lá fui eu em direção à estação seguinte, intrigada com o que defini por OTNI's (objetos terrestres não identificados). Como gosto de pequenos mistérios, não desisti.
No dia seguinte... mentira, no dia seguinte faltei à aula. Ok, dois dias depois, olhei fixamente pros trilhos. Inicialmente, achei que fossem folhas secas, mas era impossível, porque não tem árvore ali. Logo, vi rabinhos e coisinhas vivas, camundongos pais, camundongos filhos, o pajé camundongo e toda uma aldeia roedora se instalava ali. E são camuflados, da cor das pedras marrom-acinzentadas. Lembrei da seleção natural, claro, eles eram como as mariposas ebony que ficaram cinzas, mas antes eram brancas. Com a revolução industrial na Inglaterra, tiveram que mudar de cor se quisessem sobreviver. Só elas, branquinhas dando sopa em meio à fuligem? Assim como os ratos ebony da estação da Luz. Vivem ali há inúmeras gerações, já nascem pequenos e ficaram da cor das pedras, quase invisíveis aos olhos desatentos. Mas nada me escapa, especialmente quando procuro distração imediata... e passei todos os dias a observar a rotina dos camundongos aventureiros.
Diariamente, torço pra que alguma velhinha na fila do trem derrube uma pipoca ou um biscoito de polvilho no chão da plataforma. O fiscal vem pôr a fita do desembarque, chuta a pipoca e semeia a discórdia na aldeia roedora. Pajé rato, cacique rato, filhote rato, pai, mãe, TODOS lutando por uma pipoca, sem usuários preferenciais. O mais ágil e forte leva o trunfo pra casa. Chega o trem, somem os ratos, pessoas se empurram, se esmagam, se aniquilam, se cotovelam (existe essa palavra?) em prol de um assento. E o mais ágil e forte leva o assento do vagão pra casa?
...Depois ousam dizer que o homem é racional.
Mas não estou interessada nisso agora, já passei dois meses observando essa história (quase que) de segunda a sexta e algo me despertou mais a atenção do que o "turismo" em si.
Há duas semanas, enquanto falava ao telefone, observei uns pontinhos se movendo no trilho, rapidinho, pra lá e pra cá. Não consegui assimilar o que era, já que só consigo utilizar um dos meus sentidos por vez (ou eu escuto, ou enxergo, assim como não consigo andar e mascar chiclete simultaneamente). O trem chegou, embarquei, "Senhores passageiros, boa noite. Este trem tem como destino a estação Rio Grande da Serra. O tempo estimado de viagem é de 52 minutos. A CPTM deseja a todos uma boa viagem." e lá fui eu em direção à estação seguinte, intrigada com o que defini por OTNI's (objetos terrestres não identificados). Como gosto de pequenos mistérios, não desisti.
No dia seguinte... mentira, no dia seguinte faltei à aula. Ok, dois dias depois, olhei fixamente pros trilhos. Inicialmente, achei que fossem folhas secas, mas era impossível, porque não tem árvore ali. Logo, vi rabinhos e coisinhas vivas, camundongos pais, camundongos filhos, o pajé camundongo e toda uma aldeia roedora se instalava ali. E são camuflados, da cor das pedras marrom-acinzentadas. Lembrei da seleção natural, claro, eles eram como as mariposas ebony que ficaram cinzas, mas antes eram brancas. Com a revolução industrial na Inglaterra, tiveram que mudar de cor se quisessem sobreviver. Só elas, branquinhas dando sopa em meio à fuligem? Assim como os ratos ebony da estação da Luz. Vivem ali há inúmeras gerações, já nascem pequenos e ficaram da cor das pedras, quase invisíveis aos olhos desatentos. Mas nada me escapa, especialmente quando procuro distração imediata... e passei todos os dias a observar a rotina dos camundongos aventureiros.
Diariamente, torço pra que alguma velhinha na fila do trem derrube uma pipoca ou um biscoito de polvilho no chão da plataforma. O fiscal vem pôr a fita do desembarque, chuta a pipoca e semeia a discórdia na aldeia roedora. Pajé rato, cacique rato, filhote rato, pai, mãe, TODOS lutando por uma pipoca, sem usuários preferenciais. O mais ágil e forte leva o trunfo pra casa. Chega o trem, somem os ratos, pessoas se empurram, se esmagam, se aniquilam, se cotovelam (existe essa palavra?) em prol de um assento. E o mais ágil e forte leva o assento do vagão pra casa?
...Depois ousam dizer que o homem é racional.
Rascunho genuíno / Eco do meu eu
Esse texto vai ser pra sempre um rascunho. Deveria se chamar rascunho, mas como o título é a única coisa que tenho, talvez seja melhor preservar. Não, esse vai ser meu rascunho ao vivo. Acabei de colocar rascunho entre parênteses antes do título. Sem correções, hoje vai doer escrever e o capricho vai ficar puto.
Não vou voltar atrás pra corrigir nada, eu prometo. Esse vai ser genuíno. Aliás, poderia até estar no nome também, vou colocar. Pronto, acabei tirando o rascunho dos parênteses pra ficar mais legível. Não é essa a palavra... Sabe quando alguma coisa que dizemos é sonora? Tenho isso com a leitura também. Não gosto de nenhum texto em que o parágrafo termine com uma palavra só na última linha. É motivo pra eu escrever mais meia dúzia de palavras só pra não ficar feio quando publico. Ridículo, mas é verdade. E nem sempre essas seis palavras são produtivas, mas... achei a palavra que procurava! Tornam o texto menos anti-estético.
Esse vai ser super anti-estético, nada a ver. É um tutorial pra minha cabeça funcionar mais vezes hahaha, como eu penso idiotice... e como vou acordar amanhã cedo? Paciência, imprevistos acontecem. Vou ali no fogão acender um cigarro e ...achei o isqueiro debaixo da minha perna. Ufa, ia camelar uns 5 metros nessa mansão até achar o fogão e provavelmente queimar minha franja. Eu queria coca. Achei um copo sem gás que pus na minha cadeira quando comecei a mexer aqui e consertar os títulos. Ainda bem que o Universo conspira a meu favor sutilmente e pôs esse copo e esse isqueiro bem aqui pra quando eu precisasse. E imagina, não é porque eu sou bagunceira e deixo as coisas pelo caminho, é coisa do destino hahaha... Prefiro justificar assim, é mais... Como é aquela palavra? Chique, não... é mais... Cadê aquela coisa pra eu ampliar meu vocabulário? Ah, isso o Universo não me dá de presente, eu tenho que procurar o Jovem. Voltando à minha justificativa da bagunça, é mais... fechei o olho, dei uma pescada. Acho que to tendo uma overdose de palavras sem sentido ricocheteando na minha cabeça. Mais místico e menos maloqueiro, eram essas as palavras. Pronto! Agora preciso ir, porque a bateria está acabando e esse é um sinal claro do destino pra eu ir dormir e acordar amanhã. E esse texto não pode continuar sendo um mero rascunho, ele tem que ser genuíno e um eco do meu eu. Meu eu, eco... entendeu? Eu, eu. Enfim, 7% restantes, esse computador da Xuxa sempre me engana. Fui. Enquanto isso, vou pensar na vida e em "como é aquela palavra mesmo?" uma hora eu canso de pensar e durmo. Porque o destino quis, senão eu ia ficar acordada e não iria trabalhar. Não seria má ideia se o destino conspirasse pra bateria do meu celular acabar e ele não tocar logo cedo.
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