Quatro horas e vinte e sete minutos (da manhã), ela se revirou quase que do avesso no colchão e mesmo assim não dormia. Tirou as meias, a blusa de frio... mas as preocupações e coisas intangíveis permaneceram naquele cubículo junto com ela. Foi refrescar as ideias: pão, manteiga, espátula, coca-cola e copo. Passou manteiga no pão, botou no microondas, e enquanto aguardava os rotineiros 30 segundos do aquecimento, colocou coca-cola no copo e pegou o pote de sal pra dar o toque especial ao lanche da madrugada. "Piii piii", apitou. Mordeu o pão e parou de se preocupar com o essencial. E quando tomou aquele gole de coca, huuum, parou até de pensar. Na verdade, até pensou, mas nada era produtivo. Eis que enquanto comia seu pão, surge mais um conflito mental: "Isso não é manteiga, é margarina. São 4h27 da manhã e eu ainda não dormi. Estou tomando coca cola a essa hora. Meu pão foi aquecido no microondas, e não no fogão. Depois de tudo, ainda vou acender um cigarro. Se eu vivo assim, imagina meu filho?! Ele vai lá saber o que é manteiga de verdade, Aviação, aquela do potinho laranja? Vai saber o que é fogão? O que é leite com Toddy? E o que é dormir às 22h? Como assim, que tipo de mãe eu serei? Não quero que pra ele/ela manteiga seja como a concepção que eu tenho de alcaparras, muito menos que fogão seja como o que é forno a lenha pra mim. E nem que... Ainda nem pensei no nome da criança! Nossa! E não sei se vai ser menino ou menina! Nem engravidei. É o fim.
Deixa quieto, vamos mudar o foco da narrativa e voltar ao que interessa, nada de pensamento a longo prazo: ele realmente pisou no meu calo, e AGORA?"
Prazer, essa era eu em terceira pessoa e estou tão puta comigo mesma que não quero nem falar por mim. Não hoje.
relaxa q quando vc for mãe, vc aprende, vai por mim. agora pensa direito e vê se vale a pena deixar que os outros pisem no teu calo.
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