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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Neurose do milênio

Começa outro ano e todos naquela neura de planejar a vida dali pra frente. Nunca entendi, particularmente, por que a fixação pelo primeiro dia do ano e não por uma data qualquer. Mas isso é só uma amenidade, eu também planejo tudo a partir de um de janeiro pela data simbólica e lá por catorze de abril começo a me esquecer de que tenho que levantar pra trabalhar e cumprir tudoo que prometi pra mim.
Aí eu penso em tudo o que habitualmente as pessoas prometem para si ou desejam aos outros:

Em 2013, eu quero ter sucesso, ter mais tempo, ter mais amigos, ter mais amor, mais beleza, mais saúde, ter mais viagens, mais livros, mais filhos, ter mais compaixão, mais disposição, ter mais paciência, ter mais agilidade, ter mais soluções, ter menos problemas, ter um carro novo pra usar no dia do rodízio e não tomar multa até perder a carta, ter mais responsabilidade, ter um emprego, ter estabilidade/instabillidade, ter equilíbrio.

Todo esse consumo nos consome, por fazer acreditar que até o abstrato é concreto, que tudo pode ser comprado e não lapidado.

O ser a gente tem; O ter a gente sem. É essa inversão que faz alguns terem filhos, outros serem pais; que faz alguns terem mais livros pra encher prateleira e outros serem sensatos e pararem de comprar se não forem ler; entre ter um emprego e ser trabalhador, ter um carro a mais ou deixar de ser egoísta.

Fáceis são os adjetivos, advérbios ou substantivos que colocamos nos nossos planos. Difícil é ser.

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