Procurei um jeito de expressar a minha sinceridade e, às vezes, a sua falta.
A varanda de casa, o lugar de onde eu pulava na madrugada pra ver meu portuga na casa ao lado. Foi ali onde, dois anos depois, o gaúcho se balançou na minha rede enquanto fumávamos, um mês depois de termos nos visto uma vez na vida... e ele balançava com tanta calma que até me contive pra não avisar que os parafusos mal colocados no teto provavelmente sustentariam 50 quilos . Eu fiquei ali quieta entre um monossílabo e outro. Deu tudo certo, ele não caiu da rede, mas eu caí na rede dele. Eu gosto dele, mas pra vê-lo não é só pular uma varanda.
Nos conhecemos e ficamos por meia hora. Três semanas depois, no meu aniversário, ele comprou uma passagem pra vir me ver no fim do mês. Conversei mais com ele e antes de ele vir comprei uma passagem pra vê-lo um mês depois que ele viesse. Saí de casa quando o avião passava por Curitiba e cheguei em Congonhas quando ele aterrissou em São Paulo. Levei-o em Guarulhos de pijama na segunda de manhã e conversamos por mais 4 semanas, diariamente, via whatsapp, até que ele me buscasse e levasse ao Salgado Filho.
Não tínhamos nada sério, era só uma troca de experiências e favores muito interessante. Tive a chance de, por dois finais de semana, conhecer alguém o mais a fundo que pudesse. Dividimos a mesma cama e os mesmos dias por 6 dias e manias um do outro: roer unhas, acordar no susto, pesadelo, sotaques diferentes, silêncios gigantes e agradáveis. Na primeira noite dormimos empilhados e acordamos na diagonal. Até viajamos. Não juntos, mas viajamos. E além de tudo conheci uma cidade nova.
Algumas vezes não concordamos e discutimos. Mas era expressamente sabido: não tínhamos (nem teríamos condições de ter) nada sério. Claro que eu não levei a sério o fato de não termos nada sério porque eu levo as coisas a sério quando convém. Convinha. Eu o levei a sério, e pior, disse isso a ele.
A proposta havia mudado, a empolgação acabou, fim da história.
Vamos à parte em que faço um intensivão de 2 meses sobre amor na varanda pra tentar entender o que deu errado, enquanto observo o passarinho que come o alpiste que deixo ali todo dia: temos o suficiente um do outro, ele voa às vezes pra me ver e somos felizes. Pra que aprisioná-lo?
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