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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Foge ou sai de cima

Já era. Quatro da manhã. Já eram quatro da manhã. E aquele silêncio (in)oportuno calava a boca de quem desejava uma verborragia pra botar tudo aquilo pra fora, mas por falta de tempo - ou de paciência - permanecia imóvel. E quanto mais aquela quietude gritava, menos dor se sentia. Pelo menos era assim a curto prazo. Por falta de tempo ou de paciência deixaram de dar atenção um ao outro. E ali foi posto algo como "...?". Aquela situação perdurava. Quantos dias duraria? Quanto menos, melhor. Era uma espécie de coceira de sentimentos, incomodava enquanto estivesse ali... E ai se não cutucasse, era incontrolável. Era uma delícia cutucar aquela ferida e coçar, coçar, fechar os olhos bem apertados e só coçar. Algo como quebrar o silêncio, chutar o pau da barraca, falar sem parar. Mas assim como a pele se fere após o alívio de uma coceira, seu ouvido se irritou. E se feriu. Depois de já não escutar direito, só restava pensar: que adianta vomitar palavras se depois quem tem que limpar a sujeira é você?
Passaram a elaborar frases pentassilábicas seguidas de ponto final, outra frase curta, outro ponto e reticências... Tudo a fim de esconder uma escandalosa interrogação: Vai ou racha?! As reticências iam, o ponto final rachava. E assim foi, até que foi... Até que assim vai. Até que assim vamos... E rachar? Só se for despesa.

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