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quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Eu também (me amo)

O bom de se amar é inventar o que quiser sem ninguém pra palpitar. Levantar a hora que quer e não ter que se desculpar, só levantar e nunca cair. É ter a cama de solteiro só pra si. Passear com o cachorro na praça e não levar o celular. Conversar com outra pessoa sem olhar pra direita e procurar seu par. É sair, viajar, é passear. É sentir-se no direito de reservar 4 horas do dia para se cuidar. É sentir-se feliz ao ter alguns minutos sozinha, enfrentar o trânsito sem se incomodar. Ligar o som e cantar, sem ninguém ao lado pra dizer como você desafina. Se arrumar pra si mesma, sem precisar ser muito fina. É dirigir sozinha, dirigir-se sozinha, pensar em quem quiser sem se preocupar com traição, sem cair em contradição, sem se trair, se atrair por quem quiser.
É ter amores platônicos e crônicos semanalmente, que renderiam uma boa crônica por dia se não fossem platônicos. É sorrir e sair andando. É sair e sorrir andando. É só rir. É só sair andando. É tirar a cerca do olhar, aprender enxergar e observar. Definir objetivos e alcançar, é deitar no travesseiro e dormir sem pensar. Acordar sozinha e se espreguiçar até as orelhas estarem relaxadas, comer cereal na hora do almoço,  e arroz e feijão no café-da-manhã. É regar plantinhas, é apreciar o silêncio, é criar, destruir, reinventar. Não ter limites nem palpites, eira nem beira, perder as estribeiras, extravasar.
É dar conselhos aos outros que nem chuchu na cerca. É seguir à risca o bordão "faça o que digo, mas não faça o que faço". É conquistar dentro de si uma balança de bom senso, renegar o consenso, é reservar um amor imenso. É economizar amor e investir em alto risco. É também não esperar, é não ter paciência com dilemas, é resolver tudo na base do "_|_, tem quem queira", é não desanimar. É não procurar e não querer achar. Tampouco procurar quem não queira achar. É não ter praxe, não ter sintaxe, não ter dor de amor. É não ter rancor. É não ter pressa nem preguiça pra nada. É se empolgar com uma sexta-feira à noite, mas esperar tudo de uma segunda de manhã. É ser dialética. É não se desequilibrar.
É não ser melancólica, é não ter cólica. É não sofrer de tpm por não ter quem queira matar. É não ter hora, não ter dia e não ter sono se precisar. É não se esgotar, não desistir, é não ter que provar aos outros o que precisa provar pra si. É provar um novo som, saborear um novo livro, ler um bom prato, escutar um velho drink, tatear um novo ar. É sinestesia invertida, é não ter ordem de significância. Tampouco ordem cronológica.
É não ter começo, não ter meio nem fim. É estar em si; tudo o que é preciso é não ter.
É ser, o resto é só.

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