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segunda-feira, 25 de março de 2013

Sobre pessoas e suas (des)importâncias


im.por.tân.ci:a:
  1. qualidade do ou de quem é importante
  2. grande valor
  3. quantia; preço; custo; consideração; interesse; autoridade; prestígio; influência
  4. relevância

Ser importante e dar importância devem estar em equilíbrio. Ao longo dos meus quase vinte e um anos de experiências com seres amenos, ops, humanos, constatei que existem dois tipos deles:
Os que dão importância, que se importam com alguém;
Os que querem importância dos outros, dando mais valor à importância que têm às coisas e ao sistemas, do que às pessoas. 
O mundo só é mundo porque existem esses dois seres, o que importa e o que é importado - e ser importado não significa ser importante. Explico por quê: quando alguém se importa, quer bem e cuida, automaticamente se torna importante. Não para os outros, não para o mundo, mas para si mesmo. Ele sabe que se importou com aquele que quis importância, que moveu mundos e fundos pra cuidar de alguém que só queria abusar do seu senso maternal caridoso e que, infelizmente, não deu. Médicos cuidam, não pelos mesmos motivos, mas quando algo dá errado não são chamados de "passionais", mas sim de doutores. E por que ver o amor com tanta racionalidade, se ele nem pediu isso?
Pobres coitados dos racionais que abusam da bondade alheia. O bom nunca é coitado; o coitado é aquele que depende da caridade cardíaca dos outros para se aproveitar e se sentir importado. Essas pessoas têm um cérebro naquela região centro-esquerda do tórax, ao invés do que deveria estar ali. E na cabeça têm o coração, mas não adianta ter o coração na cabeça e a cabeça no coração, porque assim nenhum dos dois funciona bem. O coração, que está na cabeça, acaba por apanhar ao invés de bater. E o cérebro bate e bate e não chega a lugar nenhum. Claro, porque se o cérebro andasse, as pessoas chegariam a algum lugar discutindo racionalmente. Nunca chegam, é como o cachorro que foi enviado pro sítio do tio-avô e nunca chegou lá, nem no verão seguinte. 
E passam 6 verões, o cachorro ainda não está lá. Digo, o coração e o cérebro. Infelizmente, esse tipo de coisa ainda acontece no mundo. As pessoas ainda se importam com coisas e deixam de se importar com pessoas. E um dia o mundo acaba, as coisas todas acabam, e elas se lembram das pessoas que desimportaram ao longo da vida. Não vou dizer que o bondoso é uma anta, mas também não direi que não. É que, no fundo, ele ainda tem a esperança de uma mudança fisiológica, uma alteração do genótipo, a mudança do signo do zodíaco daquele que o fere. E ele sempre volta, como o cachorro que retoma o caminho de casa depois de ter ido pro sítio distante, próximo a Cornualha e peregrinar a patas por quase 10 mil quilômetros. Mas quem volta é sempre o bondoso... o importado nunca volta por inteiro. Sempre fica na miguelagem de sentimentos, dosando tudo com um conta-gotas. Ai dele, se o bondoso tivesse um quanto-gostas, pra medir o quanto é gostado pelo importado. E é um tal de quantas gotas, quando o importado vai embora, sem mais nem menos. Aliás, muito mais menos do que mais nesse sem mais nem menos. Porque ele foi, sem sentimentos. E o importante ficou com sentimentos. Agora, pelos princípios da lógica e da racionalidade, quem tem mais? 
O importado abusou e mesmo assim saiu sem nada. O importante foi com tudo e voltou com mais. 
Agora é só pegar essa "quantia" e investir em outro bem. Porque bem é o que mais tem. É só querer bem que ele vem.

6 comentários :

  1. Eu confesso que precisei tomar uma xícara de café, não porque o texto me deixou com sono, mas porque o sono estava me atrapalhando com o texto e tanto a xícara quanto o texto me acordaram para o dia de hoje, Gabi você é um poço de surpresas, parabéns!

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    1. Fernando!

      Eu agradeço muito, muito por você ter gostado do texto. Como disse pro Youssef no comentário abaixo, tinha pensado em desistir de escrever. Mas vejo que pessoas como vocês me fazem continuar! Muito obrigada!

      Beijos

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Youssef,

    Mais de 2 meses passaram desde o comentário.
    Mil desculpas, não tinha visto. Muito obrigada pelos elogios! Tinha pensado em desistir de escrever, mas pessoas como você e algumas outras que comentam aqui me motivaram a arrumar um tempinho pra voltar.

    Muito obrigada!

    Beijos!

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  4. Oi, xará. Desculpa demorar tanto tempo para responder, mas eu estava no meio de uma viagem, com uma internet precária. E não é que eu AMEI sua ideia? Reunir todas as xarás escritoras numa blogagem coletiva (e meio bizarra, a la Quero ser John Malkovich). :D

    Enfim, esse comentário é só para dizer: sim, é um prazer conhecê-la. E, olha, achei a ideia divertidíssima, vamos executar.

    Um beijo.

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    1. Gabi!
      Que bom que curtiu a ideia, só vi agora também!

      Olha, vou começar a por em prática. O que acha de Venturas e Desventuras? Um olhar diferente do mundo de cada Ventura? E, como Ventura significa destino, é como se disséssemos "um olhar do destino" (:

      o endereço do meu face é: facebook.com/venturagab

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