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domingo, 27 de fevereiro de 2011

É disso que estou falando!

Eis que surge, não sei se no meu coração ou no meu cérebro a vontade de sossegar. Ao mesmo tempo que estou com o coração apertado, tenho meus pés no chão. Talvez a decisão parta da mente, da alma e do corpo. De vez em quando, é ótimo lembrar de quando namorava e sentava no sofá em pleno sábado à noite pra ver um filme do Telecine com uma mantinha pra cobrir as canelas e tomando um Toddy. Eventualmente, até rolavam umas torradinhas com manteiga. E isso me dá uma saudade... não deles ou do relacionamento, mas sim daquele compartilhamento de preguiça, ou como diz a música "vontade gêmea de ficar e não pensar em nada". Era ótimo, ninguém falava nada, ninguém discutia, mas eu SABIA que tinha alguém ali do meu lado dividindo o leite, a manteiga, a mantinha e a atenção ao filme. E só isso me confortava, não precisava do ombrinho ali pra me encostar, não era algo tão tênue. Era estabilidade.
E, sinceramente, essa vida que só acontece aos finais de semana não tem mais valor pra mim. Quero viver de segunda a quinta TAMBÉM. Compartilhar cerveja, toddy, vinho, coca-cola ou seja lá o que for com alguém. E não alguém diferente todo final de semana, quero a mesma pessoa. Dividir momentos, ideias, sonhos, (nhenhenhém) desilusões, ilusões e tudo o que puder. Não quero compartilhar só carne. Leite é algo mais relevante pra mim. Compartilhar carne significa algo mais avassalador, agressivo e obviamente carnal. Enquanto o leite significa algo mais sentimental, proteção e pureza. E é disso que estou falando.
Talvez a paixão não seja o mais cabível ou o essencial. Nada de taquicardia e calafrio. Paixão é como pinga: se você vai com sede à garrafa, é certo que sua mente não estará ali e você achará tudo lindo e insistirá em continuar bebendo, mesmo sabendo que quando deitar pra dormir, a sensação será desagradável e você vai botar tudo pra fora de uma vez. E voilà, lá se foram seus planos. É UM PORRE... e porre só causa dor de cabeça! Afinidade é o primeiro passo pra estabilidade, aquela conexão que não dá pra explicar, o conselho bem-vindo que não havia nem sido solicitado, mas foi percebido, os olhos que se encontram e conversam por horas a fio (e chega de detalhes, porque não sou tão bonitinha, também). E aquela sensação de deitar no travesseiro segura, sabendo que fez a coisa certa e que amanhã fará a coisa certa de novo e se continuar desse jeito, mais cedo ou mais tarde estarão na sala num sábado à noite vendo Telecine, dividindo um copo, um pão velho e uma mantinha. Não existe nada melhor do que compartilhar momentos em meio ao silêncio. Essa divisão toda é paradoxal, porque é uma soma que só se multiplica. E é assim que a felicidade se consuma, a meu ver. Às vezes é bom se afastar do mundo que se esbalda em todos os finais de semana e não aproveita uma vírgula dos momentos. Esses são os que mais fogem da realidade. Acham que correm atrás da felicidade enquanto ingenuamente correm dela mesma.
De-fi-ni-ti-va-men-te não quero sucumbir aos finais de semana destilados, minha intenção é fermentar.

3 comentários :

  1. Texto maravilhoso!
    Digno de Martha Medeiros...
    Juro, adorei... Acho que foram as palavras mais conclusivas sobre o "não a solidão"...
    Eu nunca tive dúvidas de que você escreveria maravilhosamente bem! Valeu cada centavo dos livros que te comprei.
    Parabéns, filha... Você é ótima!
    Beijos
    Rô Ventura

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  2. amei, gabi...se todos os jovens pensassem assim os pais não se desesperariam com os finais de semana destilados dos filhos... vc ganhou uma leitora e vou espalhar seus textos por ai...parabéns!! bj

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  3. Parabéns Gabi, muito madura vc.

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